Escolas facilitam a adaptação dos alunos novos
Escrito por Cláudia Gaigher   
Qui, 12 de Fevereiro de 2009 13:57
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Na volta às aulas, muitas crianças que mudaram de escola enfrentam o drama da adaptação. Veja como pais e professores podem ajudar.

O que sente uma criança quando chega a uma escola nova? Júlia Maria Barbosa, de 9 anos, resumiu essa experiência em uma palavra: medo. “Eu não estou acostumada com colégio grande, quase me perdi!”, ela explica, tímida.


Encarar o desconhecido pode mesmo ser assustador. “Quando você entra na sala, começa a olhar para todo mundo e todo mundo começa a olhar pra você. Daí você começa a perguntar assim: ‘professora, onde que eu vou sentar?’”, descreve Rodrigo Fernandes, de 8 anos.

Numa escola de Campo Grande, a disposição das carteiras é mudada no início do ano. Um círculo aproxima as crianças e, para diminuir a ansiedade, foi adotado o sistema de duplas: um aluno antigo senta ao lado de um novato. Os veteranos tem a tarefa de apresentar a escola a quem chega.

Logo cedo, as crianças aprendem que a generosidade é um grande passo para fortalecer os laços de uma futura amizade. “Acho que assim eles vão se adaptar melhor, não vão ter vergonha e vão participar mais das atividades", diz a veterana Júlia Ricarti, de 9 anos.

Na rede pública de Campo Grande, a atividade de integração envolve balões coloridos com os nomes dos alunos. As crianças brincam de achar esses nomes e acabam se conhecendo.

É na escola que as crianças aprendem a conviver com as diferenças, desenvolvem suas habilidades individuais e fazem amigos. Se algo não vai bem nessa adaptação, pode resultar em traumas para o resto da vida.

Por isso, educadores e pais devem observar as crianças para identificar sinais de que algo não vai bem. “A criança que não se adaptou bem se isola, fica quietinha no seu canto, sem mostrar o que a está afetando”, explica a coordenadora pedagógica Vânia Lúcia Neves.

Em outra escola da cidade, as primeiras aulas são dadas no pátio. As professoras incentivam os alunos a visitar outras salas e coordenam brincadeiras coletivas. Estimular a demonstração de afeto e o companheirismo ajuda a quebrar o gelo.

Entre os adolescentes, alguém pra fazer a apresentação é fundamental. O aluno novo Hugo Jacomini, de 13 anos, ensina sua técnica: “Quando te apresentam, você que tem que perguntar: ‘como vai, tudo bem? Você gosta de fazer o quê?’". Pelo jeito, deu certo.

 

No caso das crianças menores, a adaptação também pode ser difícil. “O coração fica apertado, a gente fica assustado e sem saber o que vai acontecer. Dá vontade de voltar e pegar a criança, mas aos poucos a gente vai se acostumando”, conta Adriano Remonatto, que tem uma filha de 3 anos.

Será o primeiro ano do filho de Sabrina Villela, Caio, na Educação Infantil. “O momento mais difícil é a hora da chegada. Ele quer ficar agarrado com a mamãe, mas eu entrego para as professoras sem medo, elas sãos ótimas profissionais”, diz ela.

A diretora da escola, Regina Martins, completa: “O segredo da adaptação é a criança se sentir segura. Nós iniciamos o processo com uma reunião com os pais para eles entenderem o que vai acontecer, depois à criança vem à escola com um dos pais e depois com objetos familiares, que a fazem se sentir segura”.


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